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Protesto contra projeto de dragagem no rio Tapajós
Indígenas de cerca de 14 etnias ocuparam as instalações da empresa Cargill, em Santarém, no oeste do Pará, em protesto contra um edital de dragagem e iniciativas que consideram abrir caminho para a privatização do rio Tapajós. O movimento, liderado pelo Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns, denuncia os impactos que atingem todo o leito do rio, afetando cidades como Santarém, Belterra, Aveiro, Itaituba, Trairão, Jacareacanga, além da população ribeirinha e o bioma da região.
Os manifestantes afirmam que a dragagem prevista no edital, publicado em dezembro de 2025, representa riscos ambientais, sociais e culturais, e foi apresentada sem consulta livre, violando a Convenção 169 da OIT. Para os indígenas, a Cargill simboliza um modelo de desenvolvimento associado à dragagem do rio e à ampliação da logística da soja na região.
Engenheiras e pesquisadoras do Grupo de Trabalho Infraestrutura apontam problemas no edital, como a ausência de licença ambiental, orçamento duas vezes maior que a dragagem anterior, ampliação dos trechos a serem dragados, incluindo áreas com sítios arqueológicos importantes, e a previsão de instalação de um terminal ligado ao projeto da Ferrogrão. A empresa Cargill afirmou que não há ocupação em suas operações e que respeita o direito à manifestação, mas se mantém firme no cumprimento das leis brasileiras.
Impactos ambientais, sociais e culturais
A ocupação da sede da Cargill em Santarém, no Pará, por indígenas de cerca de 14 etnias está relacionada a protestos contra um edital de dragagem que, segundo o movimento, pode resultar na privatização do rio Tapajós. Os manifestantes alegam que a dragagem prevista no edital, publicado em dezembro de 2025, traz riscos ambientais, sociais e culturais, e foi apresentada sem consulta livre, violando a Convenção 169 da OIT.
Os impactos denunciados pelos indígenas atingem não apenas o leito do rio, mas também a população ribeirinha e o bioma da região, que abrange cidades como Santarém, Belterra, Aveiro, Itaituba, Trairão e Jacareacanga. A mobilização, marcada por gritos de "Tapajós livre", tem como alvo a multinacional do agronegócio Cargill, associada à dragagem do rio e à expansão da logística da soja na região.
O edital de dragagem em questão apresenta problemas, como a falta de licença ambiental, segundo levantamento do Grupo de Trabalho Infraestrutura. Além disso, o contrato prevê três anos de dragagem, com orçamento duas vezes maior que o da operação realizada em 2025, e amplia os trechos a serem dragados, incluindo áreas com sítios arqueológicos importantes e a previsão de instalação de um terminal ligado ao projeto da Ferrogrão.
Problemas no edital de dragagem
O edital de dragagem que motivou a ocupação dos indígenas na sede da Cargill em Santarém, no Pará, apresenta uma série de problemas, de acordo com um levantamento feito por engenheiras e pesquisadoras do Grupo de Trabalho Infraestrutura (GT Infra). Um dos principais pontos levantados é a ausência de licença ambiental no documento.
No plano de dragagem, apenas consta que o processo de licenciamento foi iniciado junto à Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), que teria emitido um termo de referência. O contrato prevê três anos de dragagem e tem um orçamento duas vezes maior do que o da dragagem realizada em 2025. Além disso, o edital amplia os trechos a serem dragados, incluindo áreas próximas a Itaituba, como Santarenzinho, onde há registro de urnas funerárias e sítios arqueológicos considerados importantes.
Essa ampliação também engloba a presença de portos e a previsão de instalação de um terminal ligado ao projeto da Ferrogrão, uma ferrovia para o escoamento de grãos. A região é apontada como uma via importante no setor do agronegócio. Diante dessas questões, a ocupação dos indígenas na sede da Cargill em Santarém ganha destaque como forma de protesto contra os riscos ambientais, sociais e culturais que o edital de dragagem apresenta.
Carta pública dos povos indígenas
Os povos indígenas que ocupam a sede da Cargill em Santarém, no Pará, divulgaram uma carta pública denunciando os impactos ambientais, sociais e culturais decorrentes do edital de dragagem que, segundo eles, abre caminho para a "privatização do rio Tapajós". O movimento, que reúne indígenas de cerca de 14 etnias, afirma que a dragagem prevista no edital coloca em risco o rio, as comunidades ribeirinhas e o bioma da região, sem ter sido precedida por uma consulta livre, conforme estabelecido pela Convenção 169 da OIT.
Na carta, os manifestantes pedem a suspensão do edital e criticam a atuação da Cargill, multinacional do agronegócio, que é vista como símbolo de um modelo de desenvolvimento baseado na exploração do rio Tapajós e na expansão da logística da soja na região. Os indígenas alegam que a empresa não considera os impactos socioambientais de suas operações e destaca a importância da preservação do rio e do modo de vida tradicional das comunidades locais.
A mobilização dos indígenas em frente à sede da Cargill em Santarém reforça a resistência dos povos originários contra projetos que ameaçam seus territórios e modos de vida. A carta pública divulgada pelos manifestantes evidencia a luta pela defesa do rio Tapajós e pela garantia dos direitos indígenas, em meio a um contexto de crescente pressão sobre as terras e recursos naturais das comunidades tradicionais na Amazônia.
Posicionamento do governo sobre a dragagem
O governo ainda não se manifestou oficialmente sobre a ocupação dos indígenas na sede da Cargill em Santarém, no Pará, em protesto contra o edital de dragagem. A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) também não emitiu posicionamento sobre o assunto até o momento.
A falta de pronunciamento das autoridades governamentais gera questionamentos sobre a postura em relação ao processo de licenciamento da dragagem, que segundo o movimento indígena, não foi realizado de forma transparente e não respeitou as diretrizes da Convenção 169 da OIT, que prevê a consulta livre, prévia e informada às comunidades afetadas.
Diante da ocupação da empresa Cargill pelos indígenas e das denúncias de impactos ambientais, sociais e culturais decorrentes do edital de dragagem, espera-se que o governo se posicione e dialogue com as partes envolvidas, buscando soluções que respeitem os direitos das comunidades tradicionais e garantam a preservação do meio ambiente na região.
Fonte: https://g1.globo.com

